Fito-me a vista ao chão,
Recordando momentos
De ponta cabeça, pelo
Carrasco interpretador,
O diabólico córtex visual.
Vejo a figura bem trajada
Equilibrando a bebida carbônica
Sob a pista vítrea, que
Mais que dança, desengonça!
Sacudindo os membros em
Arco, de jeito a talhar o ar com
Movimentos em falso.
Estes, acompanhados de um
Deslize bizarro, tal qual
Se levasse o metatarso deitado,
Assim como um acidental
Rond de Jambe a direita,
Que estava mais para uma
Rasteira anormal.
Nem me fale a jogada
De ombros que eu dava,
Senhor! Que vergonha!
Todos desdenharam de mim
Tal qual um debiloide, viam
Minha Técnica Avançadíssima
Com no máximo Schadenfreude!
Irônico mesmo é usar
Essa expressão alemã,
Pois o nome do salão era
Espaço Zurique.
Por que será?
Pois de eslavo não tinha
Coisa alguma, ficava lá no Pau Ferro,
Em Jacarepaguá!
E com esse deslustre,
Mais trincado que os
Lustres do teto, fecho agora
Meus olhos e Sorrio
Com a cena bonita, da
Rítmica dança conjunta
De /uaiemciei/
Do Village People.
Assim certifico,
Que nesse passado
Momento ou Memento,
Fui feliz.
-Do Poeta Cicatriz

