Tum-tum.
Tum-tum.
Tum-tum.
A pulsação estável me
Incomoda.
Sintonizo o som afável do
Remador sombrio;
Ao primeiro Esgazeio,
Vejo:
Situo-me num barco
Metálico?
Diante de mim, um homem
De terno, cabelos longos
E brancos. Nós lóbulos,
Brincos redondos
E plásticos.
A figura enigmática, dispara
Sua voz Rouca e Grave,
Contra o túnel fluvial
E carnudo.
“Começaremos o passeio.”
A voz estremece as
Paredes de tecido mole,
Rosado e gelatinoso
Da passagem.
Ele, ou o que quer que
Seja, começa a apresentar
A primeira atração.
Ele fala em tom agradável:
“Este é o Giro do Cíngulo, dentre
Este aglomerado de fibras,
Nota-se a comunicação dos
Nossos adoráveis axônios,
Que estimulam o bate-papo
Do córtex
Com o sistema límbico.”
Tento me mover os braços,
Mas não posso!
É como se uma força
Apertasse meu corpo!
Tal qual uma forca,
Não vale o esforço!
“Esse bom garoto controla a
Agressividade e as suas respostas
Á dor.
Também o aprendizado
E o sistema de
R-e-c-o-m-p-e-n-s-a-s.”
Virando o rosto a mim,
Ele debocha, soletrando
A última palavra
Do verso.
“Continuando, para o próximo
Temos uma alegoria
Muito especial.”
“São as amígdalas, não da
Garganta; outras amigas.
As belezinhas de que
Falo, são essas estruturas
Esféricas, A sua frente.
Não são uma graça?”
Ele junta a mão esquerda
Ao rosto, suspirando
De maneira amável.
Tento me espernear, a fim de
Escapar daquelas tortuosas
Amarras invisíveis!
De novo eu grito,
Mas nada sai!
“Cuidam das atividades autônomas -
Coisas que tu já mal fazia, inclusive -
Das Respostas musculares, das
Expressões faciais...”
“Próximos!” - Ele exclama -
Apontando para duas
Importantes estruturas.
“Tálamo e Hipotálamo, - não
Confunda com hipopótamo! -
Juntos, regulam a produção
Hormonal, Ciclo Biológico,
Funções Motoras e Sensitivas,
Metabolismo e é claro,
Teus Desejos mais Primordiais
E também,
Carnais.”
“Por fim o Septo e o Corpo
Mamilar! - Controlam
Sensações de prazer,
Funções Sexuais - as
Tuas quais, já não eram das
Melhores - E da memória
Espacial.” Ele termina de
Falar, como colocasse
Um Ponto Final.
“Bom,
Temo que este seja o fim
De nosso Tour.”
Enfim!
Eu inspiro alto, como se removesse
O vácuo fantasmagórico:
Inflo meus pulmões
(Vazios)
E enfim, consigo!
Consigo soltar um
Grito, tão alto que novamente,
Faz tremer as paredes de gelatina
Viscosa!
“Besta sombria ou seja lá
O que sejas, diga-me
Agora!
Para onde vamos,
Diga-me!”
A figura levanta a gola
Da camisa social e responde
Com um sorriso largo.
“Ora! Não entende?
Fez todo esse caminho
E ainda permanece
Embriagado? Entorpecido?
Há!
Típico de um Drogado.”
Ele balança a cabeça
Em desaprovação...
“Te darei a amargura da dúvida,
Sim!
Mas pelo menos
Serei Cordial.”
“É um prazer,
O meu nome é Caronte.”
-Do Poeta Cicatriz

