O Gato e a Joaninha
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O Gato e a Joaninha

O gato inteligente, sabia bem o que tinha em mente

Então, sem pestanejar, até a joaninha se pôs a caminhar

Sorrindo a cumprimentou: Olá minha amiga, cá estou!

 

“Não me venha com suas gracinhas”, respondeu a joaninha

“Conheço bem a sua raça, então valorizo minha carcaça”

O gato espantado tentou agir com mais cuidado

Pois a joaninha era astuta, ele não queria ir à luta

 

Pois olhe bem dona Joaninha, só vim aqui pra te falar

Que você é minha amiguinha, nunca iria te maltratar

Quero apenas a sua ajuda, num serviço a fazer

Não fique tão sisuda, você de certo irá me agradecer

 

Saiba que não estou com fome, não se preocupe quanto a isso

Quero falar sobre homens, aí você segue seu serviço

A Joaninha ainda desconfiada, esperava estar errada

Pois em gato não se confia e ela não era de valentia

Mesmo assim deu uma chance, enquanto olhava de relance

 

“Me diga o que queres, senhor gato, por favor, não seja chato”

Ela olhava de um lado para o outro, não queria ir pro fosso

Sorriu com simpatia, sem demonstrar sua covardia

Esperou do gato a bondade, abriu seus ouvidos com sinceridade

 

Joaninha, vou ser sincero, um minuto irá te tomar

Sua ajuda eu espero, numa missão de conquistar

Reforço que não sinto fome, quero apenas sua lança

Meu assunto é com cada homem, cada mulher e criança

Matar todos eu irei, por cada crime que já fizeram

Nos matam e isso eu sei, pois conheço eles de perto

 

O olho da Joaninha assim brilhou e um sorriso ela esboçou

“Mas é claro que ajudo, nessa guerra pro seu time eu mudo”

“Pra cada pelo em suas costas, tenho uma prima hoje morta”

“Pelo veneno na plantação, pelo esmagamento e aflição”

“Não sei porque nos matam, de matança nunca se fartam”

“Terás minha lança para matar, cada amiga e familiar”

 

“Espero assim o seu exército, pois o trabalho será grande”

“Não sei se teremos mérito, chame a porca, o rato e o elefante”

“Todos que puderem batalhar, estejam aqui antes do sereno”

“Antes só preciso te lembrar, traga primeiro quem for pequeno”

“Pois assim os pegamos de surpresa, por trás, na furtividade”

“Dessa matança haverá beleza, depois começaremos a festividade”

 

A Joaninha estava calma, com uma chama em seu olhar

Cada ódio em sua alma, poderia assim queimar

Pois toda pessoa que irá cair, trará um prazer diferente

Assim ela saiu a sorrir, pensando na morte de toda gente

 

Chamou do besouro ao percevejo, do rato ao beija-flor

Finalmente daria fim ao vilarejo, independente do clamor

Pois na revolução dos bichos, não existirá trégua

As cabeças vão aos lixos e o sangue manchará a relva

 

No outro dia o gato esperto, esperava ali por perto

Trepado num arbusto, pois não queria nenhum susto

Os pequeninos ali chegaram, felizes se aproximaram

O gato já ansioso, recebeu todo aquele povo

 

Explicou seu plano inteligente e apontou para um recipiente

Um pote de palha e pano, o esconderijo do bichano

Cada animalzinho ali entrou, pois dali viria a surpresa

O rato ao lado do beija-flor, o caçador e sua presa

 

Inimigos que se matariam, lado a lado em amizade

Todos ali comemorariam o perecer da humanidade

Num ataque inesperado, os animais dali sairiam

E cada humano desavisado, por suas curiosidades morreriam

 

O gato carregou os cestos, sem pressa e sem nenhum medo

Empilhou em cima de um poste, em algum lugar longe do bosque

Mil potes em um galpão, prontinhos para a revolução

Em cima de eles todos, caixas com pesos soltos

 

O rato tentou sair, mas o pote não queria abrir

Todos os pequenos estavam presos e o gato estava ileso

Um humano chegou então, com uma tocha a trepidar

Uma garrafa na outra mão, seu corpo ficava a balançar

 

“Gato maldito, gato sarnento, hoje eu não te mato”

“Parece que cumpriu seu juramento, ali está seu prato”

O gato olhou de supetão, com um sorriso e os olhos queimando

Correu até sua ração, sem ouvir os bichos gritando

 

O homem jogou a tocha, em direção a uma rocha

Embebida em óleo ela estava e um rastro continuava

Esse rastro seguiu queimando e a Joaninha de longe olhando

Ela não quis entrar no cesto, pois era brigada com o percevejo

Seu marido e a vizinhança inteira, agora ardiam na fogueira

O homem apenas ria, orgulhoso da covardia

 

A Joaninha saiu brava, procurando uma solução

Mesmo sendo o gato, não esperava tamanha traição

Procurou por seu amigo, um felino sem igual

Escondido em um abrigo, um tigre colossal

 

Certa vez uma farpa tinha no pé da criatura

Então a Joaninha, a tirou com sua ternura

O tigre agradeceu, se tornando seu parceiro

A Joaninha não esqueceu e o momento era certeiro

 

O gato ainda comia, com farta alegria

Tentava não pensar, que acabara de matar

Seus amigos e confidentes, por desejo daquela gente

Gente que bate e extermina, que maltrata e elimina

Mas que alimenta o pobre gato, que poderia estar no mato

O gato não sabe se é melhor, pois tem fome, isso é pior

 

Por detrás do gato distraído, uma criatura aparece

Ouve-se um rugido, em pouco tempo o gato perece

Mas antes de se despedir, o gato pode pensar

Que fome ele não sentia, só sentia o pesar

De ouvir o som do medo, que veio da explosão

Do tiro que o homem deu, bem no tigre, no coração

 

E o homem ainda ria, com aquele inferno todo

Sua garrafa ainda bebia, e a fogueira queimava em fogo

De longe a Joaninha olhava pra tudo aquilo que aconteceu

Sentiu a dor de quem amava, até do gato que morreu