sinto a batida
do cacetete
na cabeça e na barriga
da coronhada de escopeta
ameaçando a minha vida
pra que a minha inocência
não seja discutida
pois a culpa se esconde na pele
mesmo que esteja empregada e bem vestida
Sinto Abatida
a mãe que torce
pra que pureza da filha seja mantida
pois por ser da cor do pecado
esperam que ela seja bem pervertida
e sabe que se essa desgraça for cometida
deixara sua pequena sentida
de corpo rasgado e alma partida
sinto a batida
do Rap, samba, funk
que na favela é curtida
que fala de uma realidade
que pelo cidadão de bem
não quer ser ouvida
a não ser que seja pra sua diversão
falando de balada, sexo e bebida.
sinto a batida
de cachaça e limão
derramar sobre mim
por uma pessoa metida
que tem o celular roubado
e a culpa em mim é logo investida
e por ser pessoa importante
sua verdade não pode ser desmentida
e meu corpo e fala, por muitos braços
e logo calada e contida
e sou logo dali arrastado
com uma violência desmedida
e mesmo mais tarde
quando o aparelho é encontrado
de posse de uma amiga
um pedido de desculpas não me é dado
e nem um cuidado na minha cabeça ferida
sinto a batida
o impacto da bala na carne repartida
que sempre em corpos
pretos é achada quando perdida
não importa se em criança, velho, menino ou menina
que sempre é acidente
mesmo que seja sobre a mesma família
80 vezes repetida
sinto a batida
do meu peito
pois não vejo uma saída
e luto
mesmo que seja uma missão suicída.
mesmo que o seu olhar
a minha dor invalída
que a injustiça que me é cometida
pra você, diferente de mim
não aguenta mais que seja debatida
que todo fato e ofença que me é acometida
é taxada de mimimi é pra você é divertida.
