MUITO IMPERATIVO PARA ALGO VENDIDO NO JORNALEIRO
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MUITO IMPERATIVO PARA ALGO VENDIDO NO JORNALEIRO

Desejo que cubra-me

Com o mais fino envoltório,

Rasgando o filtro a mordiscos

E assinando minha carne

Com seu monograma ilusório.

 

No corredor libere o polônio

Com movimentos ordinários,

Exploda-me a Fábrica

Do ácido prússico, expelindo

O gás ciano incolor e tóxico.

 

Obstrua todos os meus poros

E enriqueça-me com teu Níquel,

Lhe garanto um ponto de ebulição

Mais do que alto, cruel!

 

Estremeça, se não me liquefaço

No mais líquido mercúrio

Ou como Naftalina me sublimo

Tão fina, tão suja, tão limpa,

Tão bela, Tão mortal.

 

Acredite, faço um bom aditivo

Como o formol, te preservo

E garanto que não faço mal.

 

Me compre

E me trague

Como um bom e velho cigarro.

 

-Do Poeta Cicatriz