Eu levei um tempo
até perceber,que a vida em si
era maior do que os livros ruins
e as cenas cotidianas ao meu redor
que eu vivi julgando o mundo
apenas me atendo à superfície das coisas
que eu decifrava pessoas
seguindo códigos sutis…
eu pensava que era inteligente o suficiente
para me virar sozinho
e nunca pensei muito acerca do futuro
a não ser um breve espaço
entre um beijo e uma briga;
eu nunca liguei para o futuro
porque só conseguia enxergar
o meu rosto diante do espelho
mudando aos poucos
e a vida correndo solta porta afora
se mostrando sempre igual
e eu não pensava sobre o amanhã
pois me contentava em recordar bons momentos
pois cada segundo difícil de vivenciar
no presente
seria facilmente apagado
pelas pequenas vitórias e amenidades do passado
mas não me pergunte sobre o futuro
sobre o que pretendo fazer daqui pra frente
será mesmo possível se manter são
sem um plano?
será que eu deveria rever os meus atuais interesses
em busca de um ideal?
eu vejo pessoas nascendo e morrendo
à medida que os recursos na terra
se tornam cada vez mais escassos
e presencio diariamente um certo tipo
de felicidade descompensada
pelos motivos mais fúteis
e continuo sem respostas…
me teleguiando por janelas
de instituições,veículos e almas
e elas se abrem sem receio para mim
enquanto eu me encerro
em conclusões precipitadas demais
para alguém que ainda entende
como grande emoção
o próprio rosto ensanguentado
diante do espelho
e sente-se vivo por se arriscar tanto
sem uma razão
e se admira com o fato
de que mente tão bem
a ponto de só viver dentro
de suas próprias ilusões.

