HIPÉRBOLE DO FIM RASTEJANTE
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HIPÉRBOLE DO FIM RASTEJANTE

Levantei-me a pico de bala

Inebriado pela penumbra,

Ao sentir o gotejar da telha

Quebrada, sob minha cabeça!

 

Percebo a natureza do ocorrido,

Um apagão geral pela infantil tormenta

Chuvosa, que punia minha casa

Com birras vetoriais.

 

Desci a escadaria com providência,

Tateando as paredes geladas

Pela cozinha, marchando

Sob o azulejo pantanoso

Dei-lhe um passo em falso, tropecei!

Me desmantelando por cima

De um cabideiro de madeira de lei.

 

Senti um calafrio meteórico

Do cóccix ao cerebelo,

Fiquei paralisado de medo!

Um pesadelo! Mas não era!

Não podia ser!

 

Uma criatura viscosa e torpe,

De textura escamosa e esguia.

Cheirava pútrido, tão fria!

Preenchia minhas narinas

Secas, com sua lama e sujeira

Molhada!

 

Engravatava meu Pescoço

Com uma tração inumana.

Tinha algo como meio palmo,

Não, um palmo de

Circunferência!

 

Diante a borrasca, eu tentava

Me libertar da asfixia, mas não podia!

A besta era adiposa, pesada!

Eu grunhia! Ao apalpar

A cauda da facínora que se

Rasgava em alguns ramos

Largos como o rabo de um galo!

 

Um basilisco! Gritei em abafo,

Enquanto me esperneava!

Podia entender a descrição

Maléfica de Plínio, O Velho,

Desse monstro descomunal

Nascido de um ovo reptiliano!

 

Atirei me ao chão da sala

Gastronômica e rastejei até

As gavetas por debaixo da pia

Metálica. Sacando dali uma

Vela tão velha, chamada

Esperança.

 

Acendi-a com um fósforo

E pude ver a fera!

Marrom, enorme e veluda,

Tinha enormes olhos negros

E…

 

Em fato

Era a cobrinha da porta,

Aquelas bordadas em pano

Sabe?

Daquelas de escorar

Para que não entrem

Ratazanas.

 

Descobri que tenho

Ansiedade.

 

-Do Poeta Cicatriz