Tem o homem prazer em mostrar suas mazelas
Cicatrizes de guerra
Feridas para piedade
Seguindo o exemplo dos homens hoje venho
Te mostrar minhas mazelas em busca de compaixão.
Trago no peito um buraco necrosado
Que às vezes sangra negro
Ora pulsa, me causando dor
Trago na minha cabeça dois pequenos “eus” loucos
Um esguio e tímido
Outro pequeno e vulgar
Eles nunca se deram bem
Acho que até mesmo trabalham em turnos
Só para não me olhar
Pois no fim os dois sou eu
Trago nos braços um vazio
De um alguém que não está aqui,
Alguém que talvez se acolheu em outros braços,
Alguém que talvez morreu,
Ou talvez um alguém que ainda não nasceu
E por fim me trago a ti virada em arte
Em literatura fotografada
Meu eu mais sujo
E ao mesmo tempo mais sincero que guardo aqui.
