EU ( POEMA)
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EU ( POEMA)

Tem o homem prazer em mostrar suas mazelas

Cicatrizes de guerra

Feridas para piedade

Seguindo o exemplo dos homens hoje venho

Te mostrar minhas mazelas em busca de compaixão.

 

Trago no peito um buraco necrosado

Que às vezes sangra negro

Ora pulsa, me causando dor

 

Trago na minha cabeça dois pequenos “eus” loucos

Um esguio e tímido

Outro pequeno e vulgar

Eles nunca se deram bem

Acho que até mesmo trabalham em turnos

Só para não me olhar

Pois no fim os dois sou eu

 

Trago nos braços um vazio

De um alguém que não está aqui,

Alguém que talvez se acolheu em outros braços,

Alguém que talvez morreu,

Ou talvez um alguém que ainda não nasceu

 

E por fim me trago a ti virada em arte

Em literatura fotografada

Meu eu mais sujo

E ao mesmo tempo mais sincero que guardo aqui.