Ainda com o rosto encostado na vidraça
Vi suas feições aos poucos sumirem.
Senti-me desmemoriado
E totalmente sem alma
Como se a humanidade houvesse me roubado o chão;
Em breve ela se tornaria apenas uma doce lembrança.
Aquele tipo de sensação que quando chega
Nos rouba alguns segundos de ar_
E nos faz sentir uma dor cinzenta em um ponto qualquer
Entre os rins e pulmões.
E logo eu me acostumaria com isso...
Envelheceria físicamente dia após dia
Guardando sempre na mente já dispersa
Como se aquele dia,não importando muito se há 5 ou 50 anos
Fosse sempre hoje.
E eu guardaria com a mesma tonalidade
As mechas vermelhas do cabelo desgrenhado
O mesmo sabor agridoce da despedida
A mesma paisagem que sempre amei
De prédios e pessoas...
E ainda rememoraria e celebraria a cada dia
O cinza endurecido de seus olhos
Luzindo eternamente dentro de mim_
Pois não posso e nem quero te esquecer.

