ESPELHO
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ESPELHO

Não vês a amargura que persegues

de grades e correntes, tua fuga?

E sempre à prisão estás entregue

que sempre te altera e subjulga?

 

Não vês como descalças teus desejos

em cacos de ilusão entre os espinhos?

Será que bem depois de tantos medos,

confundes tanta dor como carinho?

 

Eu vejo os teus olhos tão vermelhos

olhando tanta dor pelos espelhos

sonhando em matar teu inimigo...

 

Eu vejo e me entristeço e me recolho...

(eu vi o meu futuro no teu olho)

Deixar de ser você eu não consigo.