ernesto
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ernesto

tenho tido medo dos meus sonhos

acordo angustiado, tremendo

com uma coroa de espinhos na cabeça

tenho evitado de falar com o vento

temo por más notícias.

 

por anos, deixei enterrado

um eu que não eu prefiro esquecer

alguém que se apaixonou

mas em uma manhã chuvosa de março

cravou um punhal no próprio peito

e confiou a mim esconder o seu corpo.

 

eis que uma noite chuvosa de junho

anunciou em alto e bom som

que estava na hora de alguém voltar

acontece que eu tinha esquecido

o tormento que seria tê-lo de volta

alguém morto não deveria estar morto?

 

meus sonhos estavam certo

e o vento tentou me avisar

já era tarde, minha testa já sangrava.

 

ele está de volta

com uma ingenuidade que amedronta!