tenho tido medo dos meus sonhos
acordo angustiado, tremendo
com uma coroa de espinhos na cabeça
tenho evitado de falar com o vento
temo por más notícias.
por anos, deixei enterrado
um eu que não eu prefiro esquecer
alguém que se apaixonou
mas em uma manhã chuvosa de março
cravou um punhal no próprio peito
e confiou a mim esconder o seu corpo.
eis que uma noite chuvosa de junho
anunciou em alto e bom som
que estava na hora de alguém voltar
acontece que eu tinha esquecido
o tormento que seria tê-lo de volta
alguém morto não deveria estar morto?
meus sonhos estavam certo
e o vento tentou me avisar
já era tarde, minha testa já sangrava.
ele está de volta
com uma ingenuidade que amedronta!

