"DOIS SILÊNCIOS"
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"DOIS SILÊNCIOS"

De repente nossas conversas foram preenchidas

por silêncios condescendentes

você não ousaria me corrigir

mas é capaz de analisar friamente

a minha total falta de engajamento

a não estruturação dos meus pensamentos

a fragilidade dos meus argumentos

e de como me apego à crenças

para não me afundar ainda mais na realidade;

Às vezes eu ouço "Something To Believe"

da Weyes Blood

tentando buscar mais clarividência

e o seu silêncio

diante do meu " negativismo"

é capaz de calar até mesmo essa linda voz

e era como se eu ensurdecesse por alguns segundos

eu tentava buscar alguma explicação

que não fosse completamente dissecada pelo seu senso crítico...

a realidade é maravilhosa, eu sei

mas não são os meus sonhos e delírios

os responsáveis pela minha confusão mental

tudo isso, até mesmo às mudanças repentinas

de humor

eu credito única e exclusivamente à realidade.

 

É justamente a realidade e o meu próprio senso crítico

que mataram tudo o que construí desde os 15 anos

uma infinidade de cadernos entre abertos debaixo de uma tempestade

e os signos de tinta não derreteram do papel

para grudar em mim

eles simplesmente foram embora

e é sobre este outro silêncio que eu gostaria de falar

esse silêncio da alma, cérebro e coração

o silêncio das minhas linhas temporais

que iam se alternando ao longo do dia...

eu ainda tenho ótimas ideias quando lavo louça

mas todas elas morrem antes mesmo de conhecer a luz do dia

e tudo isso, eu reitero

só credito à realidade

à realidade dos amores tangíveis

que você não é obrigado a aceitar

só porque a garota dos sonhos não gosta de você

à realidade que bate na minha cara

todo o mês de junho

à realidade que normaliza a superlotação

em cemitérios

e persiste em continuar se auto aniquilando

em prol de algo que nos fazem pensar

ser mais importante que a vida:

O dinheiro.

 

E sim, eu credito à realidade

porque não sou tão boba quanto pensa

pois também endereço nosso nervosismo e falta de tato

aos bolsos vazios, ainda que trabalhemos tanto...

esses dois silêncios se instauram

e constroem barreiras intransponíveis

e eu não quero fugir da realidade,

mas você PRECISA entender que ela está

me matando.