DIA 1, SOBRE SOLIDÃO
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DIA 1, SOBRE SOLIDÃO

Acho que cheguei finalmente a uma resolução sobre como usarei este espaço. Berro d'água será agora meu diário, onde eu berro.

 

Todos precisam de um lugar onde podem gritar as vezes.

 

Solidão. Eu tentei chamar de solitude por um tempo, como se fosse minha escolha estar só. Mas não é e não sei mais quem eu desejo enganar. Estou só e não gosto disso. Estou só e sinto que não tenho ninguém, não de verdade. Estou só e isso me apavora. Estou só, mesmo quando estou com minha família, com meu pseudo namorado, com minha cachorra.

Estou tão só que nem mesmo sei mais onde procurar consolo.

Tão só que não há ninguém com quem reclamar de minha solidão, apesar de eu ouvir sobre a solidão de outras pessoas.

 

Apesar do ódio que nutro por minha solidão, não sou boa com pessoas e pessoas não são boas comigo. Talvez eu esteja encontrando pessoas nos lugares errados e por isso todas elas parecem erradas para mim. Parece, as vezes, que somente eu gosto de certas coisas. Que minhas opiniões, quando ditas em voz alta, incomodam grande parte do grupo onde tento me encaixar. Me sinto como um pedaço errado do quebra cabeça, tentando se apertar em um espaço que não o cabe. Tenho medo de nunca encontrar o pedaço onde me conecto.

 

"Deus não quer que você seja feliz, ele quer que você seja forte."

 

É uma coisa bonita dita por uma personagem problemática em uma série com lobisomens chamada "Hemlock Grove" e apesar disso não deixa ser ótima.

Talvez seja isso. Talvez essa solidão esmagadora sirva para algo no final. Ou talvez eu só esteja tentando encontrar desculpas para amenizar o sentimento, como se tudo fizesse parte de algo maior em minha vida.

Duvido muito que faça, mas eu continuo fingindo. As vezes você precisa contar mentiras a si mesmo, ou as coisas tendem a ficar tristes demais.

 

É querer muito desejar que essa solidão passe? Talvez seja. Talvez seja muito desejar alguém que me compreenda.