DEITADO NAS MARÉS
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DEITADO NAS MARÉS

Deitado nas marés da manhãnzinha

vendo o parto do azul que nos encobre,

quase ouço o Senhor e Deus da morte

contemplando, junto a mim, o vir do dia.

 

Como se o nascimento fosse mágoa

e a vida renovar-se, um castigo,

perguntei ao gigante adormecido

qual seria a memória dessas águas...?

 

Então veio perfumar, a maresia,

entre vida, como um Deus de energia,

todo ar que me circunda, de preguiça.

 

Enfim eu mergulhei profundamente

em um sono, tão tranquilo e tão contente,

com as ondas se quebrando de alegria