COTIDIANO
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COTIDIANO

Suspiro

bebo um café

escrevo...

a angústia se tornou amiga, uma amiga inerente. Agora estou surpreendentemente íntima da tragédia.

fatos vão e vem, passam tão próximos a mim que sinto sua presença pairando-me.

essa tragédia ainda não me atingiu, mas sinto-a me vigiando à espreita, como se meu nome fosse o próximo da lista.

 

ansiedade

bebo uma taça de vinho

leio

escrevo

devaneio pela tv...

entre um surto existencial e uma crise de pânico brinco de conversar com a terapeuta mesmo quando ela não está presente.

Vivencio o pequeno relapso de me sentir sortuda.

flutuo na minha imaginação e começo a acreditar que posso ter tudo o que quero.

 

me sinto desprivilegiada

um remédio para a dor,

outro para a cólica,

mais para a ansiedade,

talvez outro para a insônia

Desapareço da realidade e exausta afundo minha cabeça no travesseiro. Me sinto grata por ter investido tão alto valor nesse objeto. Respiro fundo e faço uma agenda mental de pequenas "metas possíveis"

metas possíveis

metas possíveis

metas possíveis

 

Frenética salto da cama, faxino a casa com a tv ligada enquanto faço notas mentais, faço pausas para beber um copo de café entre taças de vinho. Ignoro todas as mensagens e ligações e e-mails.

E exausta me afasto dos perigos de sobreviver entre aqueles que arriscam viver.