CEGOS SENTIDOS SENTIDOS
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CEGOS SENTIDOS SENTIDOS

Muitos tocaram suas pernas

Coxas, braços, barriga

Costa, cabelos, queixo, olhos boca

 

Muitos sentiram o cheiro doce

Levavam-no as vezes impregnado em seus casacos

A leve fragrância do creme de avelã numa mistura com o perfume de rosas brancas

 

Muitos sentiram o seu gosto

Dos beijos, do corpo suado

Do creme de coco que amacia a pele quente.

 

Muitos viram sua beleza

Suas roupas provocantes

Seu corpo nu

 

Muitos falaram o que gostam ao seu ouvido

Safada, provocante, gostosa, fútil, puta

Inexperiente, fácil, dada, delinquente

 

Mas o que eles não viram

O que ela sentiu

 

Foram as marcas deixadas por outros onde eles tocaram,

O bom aroma que cobria o cheiro salgado das lágrimas derramadas da noite anterior,

O sabor amargo que a vida lhe dava como uma droga moribunda,

A visão do inferno que lhe aparecia todas as manhãs acordando para uma nova tortura,

O desgosto de nunca escutar um “Obrigada” nem pela noite passada, nem porque acordara.

 

 

É meu primeiro texto aqui, espero que gostem e obrigada por ler.

Att T. L. McBeath