Muitos tocaram suas pernas
Coxas, braços, barriga
Costa, cabelos, queixo, olhos boca
Muitos sentiram o cheiro doce
Levavam-no as vezes impregnado em seus casacos
A leve fragrância do creme de avelã numa mistura com o perfume de rosas brancas
Muitos sentiram o seu gosto
Dos beijos, do corpo suado
Do creme de coco que amacia a pele quente.
Muitos viram sua beleza
Suas roupas provocantes
Seu corpo nu
Muitos falaram o que gostam ao seu ouvido
Safada, provocante, gostosa, fútil, puta
Inexperiente, fácil, dada, delinquente
Mas o que eles não viram
O que ela sentiu
Foram as marcas deixadas por outros onde eles tocaram,
O bom aroma que cobria o cheiro salgado das lágrimas derramadas da noite anterior,
O sabor amargo que a vida lhe dava como uma droga moribunda,
A visão do inferno que lhe aparecia todas as manhãs acordando para uma nova tortura,
O desgosto de nunca escutar um “Obrigada” nem pela noite passada, nem porque acordara.
É meu primeiro texto aqui, espero que gostem e obrigada por ler.
Att T. L. McBeath

