Abro essa caixa com o palato
Pois sei que é nela que resido,
Os restos cadavéricos que reviro
Absorvidos como um bom carboidrato.
Sem salivar, empurro ao frênulo,
O invólucro de Ibuprofeno que
Eu deveria engolir. Mas não o faço,
Pois se abocar não o sinto,
Se não o entendo, não o mato.
Doem meus sisos em paralelo, quais fitam
Sua vista no ulterior do órgão muscular
Até descascar o esmalte em usura,
E choram a chegada do flagelo Excipiente
Pelas futuras fissuras (Coitadas!).
“Senhor, essas gravuras no medicamento
Dizem que é contraindicado!”
Não tomarei mais desse fármaco.
Linha reta é convenção
E Rachadura, aprendizado.
-Do Poeta Cicatriz

