BODAS
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BODAS

houve um tempo

em que eu achava

que nada de poético se podia tirar de coisas felizes,

pois se havia felicidade,

não tinha tempo para gastar com caneta e papel...

o tempo só se perde quando a felicidade se vai,

a dor ocupa espaço,

o tempo torna-se ocioso,

algoz persistente,

e é nessas horas que as palavras saem,

que os nunca ditos fluem para ouvidos que nunca escutarão,

corações que nunca sentirão...

porque é nos momentos de solidão

e de tristeza

que a dor se transforma,

se não em música

- canções belas de amores perdidos -

ou ao menos em poesia

- versos tristes e melódicos que escondem os soluços seguidos de lágrimas...