AJUDANDO UM INJUSTIÇADO PELA SUA PRÓPRIA LÍNGUA
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AJUDANDO UM INJUSTIÇADO PELA SUA PRÓPRIA LÍNGUA

Sentei-me diante a efêmera

Chama, que acendi com

Restos de jornal em um

Barril velho.

Compreendi a chegada silenciosa

Do animal de energia

Cinza Temerária

Que antecede tantos

Outros cinzas.

 

O bicho, avistou-me diante

O ardor e aproximou-se

Com suma cautela.

Previ seu desejo primordial

E atirei um pedaço considerável

De outro ser, tão vivo como eu,

Que já havia caçado

Previamente.

 

Afinal, ele está na mesma,

De mim e de

Muitos.

Fome.

 

A sombra mostrou-me

Aqueles olhos céleres que,

Realçando com os caninos

Refletiam as labaredas

Ao meu lado.

 

Perguntei-me, talvez este

Seja o membro rejeitado

De uma corja, uma matilha

Que o negou

Como fracassado?

 

Aceno com a mão

Para que se aproxime.

Ele, levanta de sua postura

Abaixada e, como bípede

Caminha.

 

O que foi?

Achou que era lobo?

Era menino.

Matilha é sinônimo de

Vagabundo, Vadio.

Entende agora, tu?

Como a Língua ofende sem

Insultar?

Para o pobre

Não há nova ortografia.

 

-Do Poeta Cicatriz