A INOCÊNCIA DA RECÉM CHEGADA, TADINHA, ESCREVEU TANTO QUE NÃO COUBE NO POST-IT
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A INOCÊNCIA DA RECÉM CHEGADA, TADINHA, ESCREVEU TANTO QUE NÃO COUBE NO POST-IT

“Ô copeira, eu já escolhi!”

Disse o homem carioca

De uniforme manchado, em seu

Horário de almoço.

 

A garota nova foi atendê-lo

De bom grado ainda, coitada.

Essa vai pro céu.

 

“Me vê dois bolinhos de aipim

Com carne seca, três coxinhas

Temperadas, um peito de frango

A passarinho - Mas é pra vir

Grande, mais Passaralho

Que Passarinho -

Continuando, três polentas

Fritas, umas quatro

Colheres de arroz num

Prato separado, traz também

Um daqueles potinhos

Com uma porçãozinha

De feijão, tá meu amor?”

 

A moça nova, meu Deus,

Anotou tudo tão rápido.

Podia dormir sem essa.

Não essa daí, a pior,

A que vem agora.

 

“Senhor, no total vai ser

Sessenta e cinco e noventa.”

 

O homem, fanfarrão exibiu-se

Ao parceiro de profissão ao

Lado. Apontando pela vidraça

Com o polegar flexionado

A viatura.

“Olha amor, acho que você não

Me entendeu legal,

Viu minha farda?

Eu não pago!

Eu sou policial!”

 

-Do Poeta Cicatriz