Quando os primeiros fogos
Começarem a estourar
Antes mesmo de chegada à meia noite
Pode acreditar,eu não estarei lá
Sentado na esquina da sua rua
Bebendo sidra e rindo feito idiota
Agindo como se o tempo
Fosse capaz de apagar
Todas as brigas e palavras de ódio.
Eu não estarei entre amigos
E nem sequer serei acolhido por alguém
Eu estarei tranquilo;
Ou pelo menos saberei fingir
Quando os meus inquisidores
Chegarem em rebanho
Com os seus “bons conselhos”
E críticas construtivas
…e eu ouvirei tudo atentamente
Sem me esquivar, sem tentar me defender
Ouvirei atentamente,
Mas não a seco.
Engolirei conselho por conselho
Com um pouco de refrigerante
E tudo cairá mal e ácido
Dentro de mim…
Porém, se for preciso rir.Eu vou rir
E se tiver vontade de chorar
Bem…eu posso esperar.
Até que a casa se esvazie
Quando enfim eu puder
Tirar da cara,esse riso estúpido
E desabar sem precisar me explicar
Sem ter de me envergonhar
Por ser tão fraco, tão fácil de se deixar influenciar
Por essas porcarias que eles dizem por aí
Por não ser capaz de gritar
E ser mal educado
Quando é necessário…
Então, assim como no ano passado
E no retrasado
Eu vou me deitar
Com o rosto vermelho de tristeza e vergonha
Com o peito inchado, e acredite
Que não será de orgulho.
E vou chorar até os olhos doerem
Até estar completamente sufocado,
Por mais uma vez
Não ter sido capaz de te agradar
E nem tampouco ter sido hábil o bastante
Para agradar a mim mesmo.

