2015
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2015

Quando os primeiros fogos

Começarem a estourar

Antes mesmo de chegada à meia noite

Pode acreditar,eu não estarei lá

Sentado na esquina da sua rua

Bebendo sidra e rindo feito idiota

Agindo como se o tempo

Fosse capaz de apagar

Todas as brigas e palavras de ódio.

 

Eu não estarei entre amigos

E nem sequer serei acolhido por alguém

Eu estarei tranquilo;

Ou pelo menos saberei fingir

Quando os meus inquisidores

Chegarem em rebanho

Com os seus “bons conselhos”

E críticas construtivas

…e eu ouvirei tudo atentamente

Sem me esquivar, sem tentar me defender

Ouvirei atentamente,

Mas não a seco.

Engolirei conselho por conselho

Com um pouco de refrigerante

E tudo cairá mal e ácido

Dentro de mim…

Porém, se for preciso rir.Eu vou rir

E se tiver vontade de chorar

Bem…eu posso esperar.

 

Até que a casa se esvazie

Quando enfim eu puder

Tirar da cara,esse riso estúpido

E desabar sem precisar me explicar

Sem ter de me envergonhar

Por ser tão fraco, tão fácil de se deixar influenciar

Por essas porcarias que eles dizem por aí

Por não ser capaz de gritar

E ser mal educado

Quando é necessário…

Então, assim como no ano passado

E no retrasado

Eu vou me deitar

Com o rosto vermelho de tristeza e vergonha

Com o peito inchado, e acredite

Que não será de orgulho.

E vou chorar até os olhos doerem

Até estar completamente sufocado,

Por mais uma vez

Não ter sido capaz de te agradar

E nem tampouco ter sido hábil o bastante

Para agradar a mim mesmo.