SAM, TIME, TOM
Há em mim um misto de sentimentos inominaveis, abissais, indescritiveis, tão grandes que são capazes de me engolir, me consumir aos pouquinhos. É estranho como tudo que eu não consigo nomear me assusta, me aterroriza, e eu fujo de monstros dos quais eu não consigo repreender, nem sei como devo chamá-los, há tantas nuances entre a tristeza e a alegria, entre a euforia e a melancolia, a coragem e o medo, quem há de impedir o meu afogamente nesse mar de sentimentos que só existem dentro de mim e só são reais na terra fertil de minha mente? Meu corpo sente o frio gélido que o percorre, o coracão palpita e aperta, o não reconhecido me corroi, devo inventar apelidos carinhosos para as criaturas que sussuram a noite em meus ouvidos? Eles me obedeceriam se eu os mandassem ir embora pelo nome? Acho que não, eles acharam em mim um lugar tranquilo para repousarem, sou refém das coisas que eu sinto, das coisas que só eu sinto e que existem apenas no meu mundinho confuso, como alguém de outro universo poderia me ajudar, pois os principios que me regem não são os mesmos para os outros milhares de seres que me rodeiam, meus sentimentos são monstros ferozes que eu mesmo criei e os alimentei e agora eles querem me devorar, quanta ingratidão! No fim, deixairei que acabem comigo, já me afeiçoei tanto a eles, não sei se consigo abandoná-los
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