Augusto Cosme Valente
Capa de perfil

Augusto Cosme Valente

@alexandrebercott2005
1Obras
2Seguidores
2Seguindo

EU MESMO DE MIM

Prosa Poética
2015d atrás

Tem um som. Então ele fala e fala e fala e fala e fala. Um som que não tem voz nem coisa-alguma. Tem nada. Nem ele mesmo. — Eu? — Não me sei e não me sinto. Bem, me sinto sim, mas não me sei. Sei de nada. E o som aumenta. E fala e fala e fala e fala e não cala. Não tem palavra. Ela some e some e some e, quando eu vou capturá-la, ela desaparece de si mesma e eu capturo o nada. — Eu? — Não consigo mais. Não consigo mais não sei o quê. E nada vejo disso que não sei o que é. Acho que não me consigo. Não sei se é gente ou bicho ou coisa-morta ou coisa-nenhuma. É grito e só. Só grito. Grita e grita e grita. Não se cala nunca. Nunca cala. O barulho não mais me ensurdece como no começo, no começo de minha vida. Me acostumei e agora tenho certeza de que sei de nada. Penso-me confrontando eu mesmo, meu eu mais eu que eu sou, na parede. Como se ele fosse minha sombra e que fosse eu de verdade. Então ele quer se puxar para dentro de meu corpo, só corpo, mas não consegue. O vazio... Este vazio... Não pode ser... É... Eu

Leia Mais
Augusto Cosme Valente
Augusto Cosme Valente• 2 min de leitura
0
Berro d'Água

Onde nasce o poema. Uma plataforma digital acolhedora e independente para leitura, escrita e circulação de literatura.

Explorar

  • Feed de Poemas
  • Explorar Obras
  • Autores da Comunidade
  • Blog & Ensaios

Para Escritores

  • Como Publicar Poesia
  • Onde Publicar Textos Online
  • Plataforma para Autores
  • Baixar Aplicativo

Institucional & Legal

  • Sobre Nós
  • Fale Conosco & Suporte
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Padrões de Segurança Infantil
© 2026 Berro d'Água — Todos os direitos reservados.Orgulhosamente desenvolvido por Forja Byte