hoje eu abri uma ferida
que há tempos estava tampada com band-aid
mas aquele band-aid com a borda descolando
porque não é uma ferida cicatrizada
é uma ferida com casquinha úmida
se alguém esbarrar nela, abre
se por acaso eu conte sobre a sua ausência
sobre como você sumiu sem rastros,
o band-aid descola e a minha voz fica trêmula
tento disfarçar diante de quem ta me ouvindo
pois ja faz muitos anos e eu deveria ter superado, né?!
mas algo dentro de mim não consegue,
talvez aquela criança que teve que desenhar e fazer cartão de dia dos pais
ano após ano, pra alguém que era apenas um nome na minha identidade
apenas um rosto borrado que só existia dentro da minha imaginação.
espero um dia sentir que cicatrizou
sentir que a ferida secou
e não precisar mais do band-aid.
enquanto isso, sigo transformando minha dor em arte.
