Entrou acelerado, gritando em alto e bom tom:
- Todos com mão para cima!!!
Se sentiu como nos filmes hollywoodianos. Lembrou dos tempos que passava horas no sofá navegando entre um filme e outro. Pipoca, brigadeiro e até vinho sustentavam seu vício frenético. Gostava de histórias dramáticas, que lhe propunham um bom choro. Gostava de um romance bobo e final, se possível, com mais choro.
O atendente logo levantou as mãos sem titubear. Sua colega, em uma inexplicável atitude, impensada levantou, lentamente, como se nada estivesse acontecendo, devagar saiu. Estava com semblante pálido, todos acompanharam a cena atônitos, mas ninguém falou nada.
Foi tudo diferente, ninguém sabia o que exatamente estava acontecendo. Muitos esconderam celulares e carteiras, outros apenas ficaram deitados esperando que tudo acabasse. Foram instantes que passaram como horas de um dia de trabalho chato. Os corajosos levantavam os olhos para tentar perceber o moço, mas logo desviavam. Somos assim, morremos de medo da morte. Morte essa, que nos bate à porta todos os dias, mas ninguém dá muita bola.
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